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Os mostros da minha (sua) infância

Olá,

Nas últimas semanas que se passaram, experimentei dias incríveis e ao mesmo tempo confusos.

Deixa eu te contar…

Eu sou a mais velha de quatro irmãos de pai e mãe. E o mais novo de nós quatro, veio pela primeira vez me visitar aqui no Brasil, portanto organizei uma semana de férias para ficarmos juntos.

Eu me sentia empolgada e ao mesmo tempo nervosa, pois desde que eu fui embora de casa, aos dezesseis anos (enquanto ele ainda era um garotinho de dez), nunca conversamos a respeito dos tenebrosos fatos que aconteceram na nossa infância.

Meu pai era um homem doente, extremamente violento, entregue às bebidas e drogas. Suas agressões aconteciam a qualquer momento do dia ou da noite. Como consequência, o medo e a insegurança marcaram profundamente nossa personalidade desde muito cedo.

Meu irmão era um menino com muito medo de tudo e de todos, que com o tempo, se tornou militar da força aérea. Um homem corajoso, com porte atlético amante dos esportes radicais.

E eu, uma criança extremamente insegura que se sentia incapaz de conquistar qualquer sonho que com o tempo se tornou uma mulher guerreira. Mãe solteira que se aventurou com o filho nas costas para começar a vida do zero em um país longe de casa.

E lá estávamos nós, após vinte anos, falando com orgulho da superação que tivemos diante da nossa tão dura infância.

Durante essas conversas, estava tão cega, tão cega, que meu corpo somatizou, transformando essa cegueira num terçol.… e ele só passou, quando pude enxergar com clareza o que estava acontecendo:

Nós estávamos enganados ao acreditar que éramos exemplo de superação, por termos passado por cima das dores e traumas da nossa infância.

Nós estávamos enganados ao acreditar que éramos livres e capazes de trilhar os nossos próprios caminhos sem que o passado pudesse nos atingir.

Nós estávamos enganados ao acreditar que não falar do tema por vinte anos, faria com que o tempo apagasse estas lembranças da nossa memória…

A verdade, tão nua e crua que não queríamos enxergar é que estávamos sendo há muito tempo, escravos que não conseguiam ver suas próprias correntes.

Ninguém é mais escravo do que aquele que se considera livre sem o ser.” – Johann Goethe

Para mim foi um choque descobrir durante esta viagem que nós ainda tínhamos uma quantidade enorme de feridas abertas, as quais, tentávamos esconder, através de ironia, falta de interesse e omissão. E estas feridas sempre foram as nossas correntes.

E foi então que percebi que a coragem e a segurança que mostrávamos ao mundo, eram as máscaras que criamos para nos proteger. E as dores que achávamos não ter, foram reprimidas por pura sobrevivência.

Escrever esta postagem, foi extremamente difícil. E precisei interrompê-lo por alguns dias, para dar espaço a dor que foi reprimida por muito tempo… Escrevi este email, para compartilhar com você um aprendizado, mas também para assimilar com mais profundidade o que aconteceu comigo. Uma maneira de te ajudar, enquanto me ajudo. Por isso sou grata a você que me acompanha por aqui.

Eu iniciei um processo de cura que me gera uma mistura de dor, surpresa e felicidade. Dor, por todas as lembranças reprimidas que vêm a tona. Surpresa, ao perceber o quanto os traumas do passado ainda influenciavam minhas escolhas do presente. E Felicidade, por ter a convicção de que todo este processo de ressignificação, está me tornando verdadeiramente livre dele.

Eu não sei como foi sua infância, nem o quanto você ainda é refém do seu passado, mas te digo uma coisa: a resposta de muitos questionamentos da sua vida hoje, estão no passado.

Veja só, quando somos crianças o ventre da nossa mãe é tão seguro, tão quentinho, tão acolhedor, que tudo que estiver fora dele se torna ameaçador. Diante desta ameaça, seu instinto de sobrevivência precisou ser ativado, criando máscaras e armaduras para proteger os seus sentimentos.

O que muitas vezes não percebemos, é que elas já cumpriram sua missão e agora é o momento de agradecer e nos despedirmos delas, pois elas ainda estão ali, influenciando nossas vidas cada vez que nossos medos e inseguranças da infância são projetados em nossa vida adulta.

Durante muito tempo fui ensina a esquecer o passado e bola pra frente. E o que estou fazendo agora, é pegar a bola, chamar a pequena Tania (que há tantos anos tinha abandonado), e brincar um pouco com ela. Ela me disse o que precisava e por fim, eu mesma pude dar a ela, um pouquinho daquilo que tanto procurou nos outros: Atenção, Cuidado e Amor.

Hoje, eu quero passar a bola para você e te fazer uma pergunta:

O quanto do teu passado ainda influencia o teu presente?

Você pode não dar bola a essas lembranças do seu passado por terem passado há muito tempo. Mas se você deseja ser realmente livre, você precisa ouvir o que sua criança tem a dizer e por fim, dar a ela o que ela ainda procura nos outros.

Paz na sua mente e no seu coração,
Tania Mujica

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